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Tec, tec, tec…

Para o IV Concurso Literário da Biblioteca Comunitária da UFSCar

Tec, tec, vida, tec – Henrique Y. Takahashi

 

Nosso cotidiano conta-se em tec tec.

Tec tec aqui, tec tec acolá.

Tudo por causa da tagarelice

de pessoas tateando máquinas

a partir de teclados descartáveis de tantos tremeliques.

 

Pois incessantemente vive esse ritmo tecnológico.

 Através da internet, viagem cibernética

Coração embolado de fios, repetidamente

tec tec.

 Tec tec tecnológico.

Tec tec, pulsação frenética.

Tec, vida, tec.

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Resposta ao Sr. Timothy

Para o IV Concurso Literário da BCo (Biblioteca Comunitária da UFSCar)

Resposta ao Sr. Tim – Henrique Y. Takahashi

Olho indiferentemente para o conteúdo da página da internet e fecho-a. Fixo meu olhar para a Praia de Ipanema: areia branca, mar azul, sol incandescente; pena que não posso sentir a areia queimando meus pés, a brisa que traz o mar, o sol traz o meu suor, é apenas uma fotografia que peguei no Google e coloquei como papel de parede.

E sabe a quem devo este tour à Cidade Maravilhosa? Um tal de Mr. Berners-Lee o gênio-criador da internet. Se não fosse por ele, teria que economizar durante três anos para a minha viagem no Rio, em um ônibus sem ar-condicionado, cheirando a mofo de estofado. Mas que alívio! Se tivesse na época da máquina de escrever, estaria agora ansiosamente esperando um lugar no ônibus para uma viagem de 15 horas.

Por enorme gratidão ao Sr. Timothy John Berners-Lee, apresentarei a história de sua contribuição para razoável parte da Humanidade.

 Em meados dos anos 60 foi feito o parto da nossa querida internet, um bebezinho ainda franzino, miúdo, ainda não tinha toda a fama de super star que tem atualmente. Nessa época a rede internet era utilizada, com sucesso, entre estudiosos para trocar informações, seria uma espécie muito distante de ICQ, MIRC (para os mais antigos), MSN, orkut, facebook, twitter (para os mais novos) entre os intelectuais da época. Imagino Steve Jobs bloqueando Bill Gates no MSN.

Até que um dia, lá na França, com a famosa torre no seu devido lugar, ao som de sotaques com biquinhos, os chefões do Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire (Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear) – o maior centro de estudos tecnológicos do mundo – sentaram impacientemente para escutar as idéias do nosso querido Sr. Tim. Após horas de reunião e alguns rascunhos de desenhos no canto do caderno por parte dos executivos, Sr. Tim conseguiu convencer que era importante de todos nós ficarmos horas na internet, que não era somente uma exclusividade dos estudiosos.

Após anos de pesquisa, Sr. Tim criou a sigla HTTP (que 80% das pessoas não sabem, inclusive eu, até uma pesquisa para esta crônica), que fica antes de qualquer “www”. Este HTTP é abreviação de “hypertex transfer protocol”, que seria um sistema de comunicação entre os computadores de forma a tornar a rede gráfica e interativa.

“Uma rede gráfica e interativa” é o que resume a internet. Após sua criação, a rede entre pessoas criadas é gigantesca, além de substituição de várias formas de interação e obtenção de conhecimento. Podemos citar a já aposentada enciclopédia, que tinham as suas vendedoras de meia-idade batendo porta em porta para vender as enormes enciclopédias, em troca de pesquisas instantâneas com palavras-chave e somente clicar em “Busca” que se encontram inúmeras páginas sobre o assunto procurado com inúmeras pesquisas prontas. E as relações pessoais? Tenho amigos meus que mora na mesma casa, mas para conversarem, se estiverem na internet, se falam através de mensagens instantâneas, ao invés de levantarem da cadeira e ir ao quarto para dizer alguma coisa.

Sei que não estou sendo tão grato assim ao Sr. Tim, é que a internet também tem seus reveses (principalmente antes do papel de parede de Ipanema). Alguns ficam viciados, ocupam boa parte do dia e da noite (e da vida) na frente do computador. Pode ser que não era a intenção de nosso bom criador, ou que a culpa não seja dele, seja dos criadores do Personal Computer, aí poderíamos convidar, por exemplo, o Sr. Jobs para culpar. Creio que seria mais justo, nesta crônica, fazer isto.

Não sei por que estou reclamando, economizei duzentos reais e 15 horas de viagem, creio que preciso pedir desculpas ao Sr. Tim:

From: Henrique Yagui Takahashi – henrique.takahashi@hotmail.com

To: Mr. Timothy John Berners-Lee – burners-lee@creaternet.com

 

Prezado Sr. Timothy,

Sabe aquele café que tínhamos marcado para o sábado? Pois então, não poderei ir.

Poderíamos conversar via MSN na segunda a noite?

Muito Grato.

Henrique.

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Destinatário

Quem utiliza a carta hoje em dia? Época da Era Digital. Avanço, avanço, avanço tecnológico. Comunicação rápida, praticamente instantânea. Com tudo isto, faço novamente a pergunta, quem utiliza a carta hoje em dia?

Método ultrapassado, antiquado, devagar. Por que alguém o utilizaria? Temos infindáveis métodos de mensagens rápidas e instantâneas: e-mail, orkut, twitter, msn, entre muitos outros. Quem teria a paciência para ficar escrevendo a mão? Muitos achariam uma perda de tempo.

Porém a rapidez que condicionam escritos curtos, com vocabulário pobre (não digo pobre algo que seja distante do vocabulário formal) que expressam pouco ou quase nada. Além de que textos pelo computador, a letra é escolhida e padronizada como: Comic Sans MS, Arial, Times New Roman, Tahoma, Georgia, entre outros. É quase um diálogo com uma máquina.

Já o nosso centenário (ou milenar) método comunicativo, tem uma aproximação e pessoalidade que da maneira cibernética não o tem. Em uma carta, além do conteúdo, tem a letra do remetente, os contornos das letras é como se tivéssemos conversando olhando nos olhos ou escutando a voz. Tem o papel utilizado, escritos de caneta ou lápis, os erros rasurados, apagados ou corrigidos com corretivos. É como uma conversa frente a frente. E ainda a espera pela carta tempera mais ainda na hora de lê-la, lemos com outros olhos, outro sabor.

E o melhor de tudo é que podemos guardar como uma recordação ou rasgar, queimar com voracidade. Como é sem graça guardar em locais como Caixa de Entrada ou simplesmente apertar o botão Delete.

Tem gente que com uma carta faz dela várias coisas. Uma delas foi quando estava assistindo um especial sobre o FLIP (Festival Literário Interancional de Paraty) que passou na TV Cultura. É o caso de Sophie Calle que transformou a carta em arte.

Assim… enquanto não recebo nenhuma, continuo escrevendo aqui, abrindo minha caixa de e-mails, vendo os scraps no orkut e bitucando no twitter.

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