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Chave de fenda medicinal

Hoje foi um daqueles dias da série “Como conseguir um trabalho e juntar um dinheirinho no final do ano”. Aqui na UFSCar tem o Paciente Simulado, funciona da seguinte forma: você faz um cadastro e quando precisarem de alguém com seu perfil, o pessoal da Medicina te chamam(e no meu caso do perfil, a mocinha até soltou um “alto”, após alguns adjetivos. Para expressar minha surpresa irei depois dizer quanto eu meço). O intuito deste programa “Paciente Simulado” é treinar os nossos futuros médicos que nos cortarão com bisturi, que mexerão em nossos organismos e além de passar vários remédios. É um programa para os alunos de Medicina treinar o contato “humano” com os pacientes.

E o que eu faço em meio a tudo isto? Tenho a oportunidade de me sentir um ator de Oscar e ganhar um dinheiro com isto. Eu fiz o papel do Maurício, 17 anos, que repetiu a 8ª série, introvertido, de poucos amigos, de pouco contato com o pai que trabalha como mestre de obras. No caso eu “tive” amidalite: febre e dor de garganta, mas após passar no médico do “postinho”, me passou antibióticos e após 7 dias eu estava novo em folha. Ou seja, o caso era para treinar os médicos a entenderem mais o lado pessoal do paciente e a influência disto na doença, já que não estava mais “doente”.

Sinceramente achei interessante e necessária este contato dos futuros médicos com o lado mais “gente” do paciente. Mudando um pouco as catacterísticas dos médicos fast health que temos por aí, com atendimentos de 2 minuntos, na qual até um miojo demora mais para se preparar.

E era visível que para nós “atores” (no meu caso um pseudo) o programa visava mais realçar o lado pessoal e nem tanto da doença. Mas na hora da consulta o paciente virava uma tabela cheia de números: batidas por minuto, frequência de respiração, pressão arterial ( no meu caso, em 4 consultas, variou entre pressão baixa, normal e alta), peso e altura (1,67; eu te pergunto – Como assim “alto”?). Eu concordo que é importante todos estes dados, mas o real objetivo do programa não foi realizado. Teve uma consulta, que enquanto eu estava com o termômetro debaixo do braço, o médico estava calculando o IMC na mão! (no “braço como diriam alguns). Imagina uma galera da Engenharia fazendo uma prova (é claro que a comparação não é devida a complexidade da conta).

Outro ponto da importância deste maior contato com os pacientes é que a Medicina na UFSCar, o foco dela é diferente das demais Medicinas tradicionais do país, ou seja, de uma Medicina mais de especialistas (USP – Pinheiros, FAMERP e Unifesp) para uma Medicina que forme clínicos gerais. Acho esta intenção muito importante, pois havemos hoje vários médicos superespecialistas, que se o paciente tiver alguma coisa fora da sua área de superconcentração de conhecimento, ele não consegue resolver. Além de que os clínicos gerais estão em mais contato com a população.

Mas acho que estes futuros médicos, para se aproximarem mais do pacientes e da população, deveriam falar mais um linguajar dela. Eu fiquei pensando não é todo mundo que sabe o que é IMC, evacuação (cocô), entre outros jargões. Houve também um momento até engraçado, mas que demonstrou a falta de contato do médico. Eu representava um garoto tímido e introvertido que nunca tinha namorado e o médico – na lata – faz a seguintes perguntas: Você tem vida sexual ativa? – eu disse: Não – Você já fez sexo? Na hora eu não aguentei e ri.

É importante conhecermos as pessoas fora dos livros, eu sei que sou um monte de órgãos interligados com um cérebro comandando, mas não somente. Espero que este programa seja importante e realmente influencie na formação dos futuros médicos, que cuidarão da gente, porque já não sinto mais confortável me sentindo um robô mecânico consultado por médicos robôs mecânicos.

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Arte noturna sãocarlense.

Miscelânea Noturna – Henrique Y. Takahashi

  

Noite de sexta

indecisão

entre sim

e o não.

  

Noite agradável

não muito frio.

Ao som do sax

tocando no brio.

  

Chego na porta,

vazio,

nem ao menos,

burburinho.

 

Espero

algo

e para minha supresa,

sorriso.

 

Cantada

mal pronunciada

ou uma pessoa

sem alma lavada?

 

A noite continua

como sempre,

desta vez

ao som do samba.

 

Passos precisos

delicados

cheios de gingados

entre namorados.

 

Não é somente

movimento.

É

o momento.

 

Entre dois

entre todos

entre ela

entre ninguém.

 

Acaba a arte

de bailar,

inicia-se outra

a de interpretar.

 

Mudança radical na atmosfera

o ar pesa,

dificulta a respiração,

por causa de única expressão.

 

Como é incrível

a capacidade deles

de fazer-nos

imergir.

 

Indagação

Risada

Indignação

Gargalhada.

 

 Mesmas pessoas

com diferentes

feições,

emoções.

 

Camaleões

da interpretação!

Vossa tela,

expressão.

 

 

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