Continuação de: http://reflexoestranscritas.wordpress.com/2009/12/15/chave-de-fenda-medicinal/
Estava caminhando rumo a uma bicicletaria (pois a minha foi roubada) e encontrei um sujeito não muito estranho. Lembrei que eu o tinha visto quando fiz o de Paciente Simulado na UFSCar e havia escrito sobre esta experiência. No caso recordei-me das respostas a mim enviadas.
Foi muito interessante as respostas, uma espécie de feedback do feedback. Parece que aceitaram minha opinião, contrapondo com argumentos embasados. Mas em uma resposta vi certa chateação “olha lá o paciente falando de mim…”
Suponho que o mesmo sujeito que vi hoje, é a pessoa que escreveu isto para mim, por isso fui retomar uma leitura do que eu havia escrito.
Posso ter tomado uma postura de deboche na crítica, não era esta intenção. A intenção era mesmo apresentar alguns pontos que acredito serem interessantes apresentar para os futuros especialistas que cuidarão da nossa saúde. Minha opinião não é diretamente a uma pessoa ou outra, mas do Programa, de sua formulação, avaliação e resultado.
E outro motivo da exposição de minha opinião é porque este Programa Paciente Simulado e o Curso de Medicina são bancados pela população. Não nego a dificuldade de entrar em um curso concorrido e nem a capacidade intelectual de qualquer um do curso. Porém tanto o curso como o programa são públicos, então a crítica vai para uma possível melhora em algo que é pago – através dos impostos – por pessoas que não tem condições de pagar um cursinho ou escola particular para ver os filhos em um curso de Medicina.
E relembrando o post, os comentários e o dia da consulta simulada, assimilei-o com um livro que estou lendo atualmente: Estação Carandiru do Dr. Dráuzio Varella, uma biografia do médico que iniciou sua vida profissional no Carandiru,com palestras sobre HIV e posteriormente começou a dar consultas de inúmeros tipos de doenças nos presidiários.
Faço uma analogia da minha experiência como “paciente simulado” e das consultas do Dr. Varella nos presidiários. Dr. Dráuzio é especialista em câncer, mas os casos que tinham no Carandiru eram diversos. Quando comecei ler o livro pensei: “Ele é especialista, mas está tratando diversos casos”. O mais interessante é ver como ele consultava os presidiários, pois por serem da “malandragem” dificilmente confiavam em pessoas estranhas e no caso dos médicos acreditavam que eram da polícia. Além de que quando chegava um presidiário cheio de marcas de cortes e sangrando, dificilmente um outro presidiário “caguetava” o que havia acontecido, o médico perguntava: “O que aconteceu?”, aí respondiam: “Caiu um tijolo na cabeça”. Respostas bizonhas que foram diminuindo de frequência quando o Dr. Varella conseguiu adquirir confiança dos presidiários. Confiança… lembrei do papel de menino introvertido com problema com os pais que fiz para a consulta simulada.
Eu recomendo para os futuros médicos (e para os antigos também) este livro, analisando como um médico tratou seus paciente, que precisavam de confiança para tratar corretamente. É também uma maneira de analisar que consultar um sujeito com dor de cabeça, não é tão ruim quanto consultar um sujeito com furúnculos no rosto, saindo larvas, sem estrutura clínica nenhuma, com apenas um Raio-X quebrado (como conta Dr. Varella no livro sobre sua experiência no Carandiru).
Acredito que quando consultar, esta pessoa na qual se chateou, consultará as pessoas com outros olhos. Creio que ocorra isso… para que não fique uma crítica apenas por crítica.