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Rotina Citadina

Rotina Citadina – Henrique Y. Takahashi

Chuva fina ou como diriam alguns: garoa. O típico céu cinza, da cidade cinzenta, macilenta.E lá estou confortavelmente assistindo a TV, como é de praxe para muita gente no domingo. Domingo do descanso, domingo da família, domingo do casal de namorados, o último dia da semana, amanhã recomeça. Poderíamos dizer que seria uma pré-segunda, ao invés de domingo. Há uma espectativa do dia seguinte, não sei se uma espectativa desejada. Apenas sei que o domingo é um dia em que os ponteiros do relógio enlouquecem ou estagnam.

É um dia confortável, mas no fundo tem um pouco de tensão, tensão do dia seguinte, recomeço da rotina.

Continuo sentado.

Assisto o jogo, aparece bolinhas no canto da tela, gols do São Paulo, muitos.

A cada 5 minutos vejo o relógio para ver ser chegou a hora de ir embora. E como o chrono não falha… Chegou a hora, preciso ir embora e o time do São Paulo continua goleando algum time. O ar está estéril. Me levanto para colocar meu tênis e ir. Há um consenso do silêncio, não há o porquê de quebrá-lo, somente a narração do jogo de futebol que ao fundo se escuta. Um mísero burburinho futebolístico.

Pego as minhas coisas, desço o elevador. O silêncio perdura, agora quem entra em cena é o zumbido do elevador descendo e a luz amarelada dá o tom do ambiente, o chuvisco ininterrupto dá o clima úmido e abafado.

Plim.

Parou de chover? O céu continua de mal humor, está meio parecido com a TPM.

Agora é a caminhada, dobro minhas barras para não molhar. Ando como um malabarista, desviando dos buracos e poças ao caminho, a calçada está mais irregular do que uma trilha na selva. Mas a natureza é mais forte (ou a cidade), piso atrapalhadamente em uma poça de água. Murmuro palavras ilegíveis. Meu pé automaticamente gela, sinto a meia empapada.

Atravesso a rua rapidamente, afinal já estou chegando na Estação. O entardecer já dominou o dia, os postes emitem uma luz bruxelante, parece que a luz não adentra a escuridão; fica ela, estática no ar.

Continuo prestando atenção onde piso, para não me molhar mais. Ao levantar meu rosto vejo duas senhoras (uma é uns 15 anos mais nova que a outra), uma com a camiseta do São Paulo. Estava aos prantos, berrando no meio da rua, muitos cantos de olho de transeuntes. Pensei “não era para ela estar feliz? O São Paulo goleou hoje…”. Em um momento súbito, ela inconscientemente me respondeu “Por que?! Por que aconteceu com ela?! Traga ela de volta! Pelo amor de Deus!!!”. Fiquei mais mudo do que estava. Olhei para o outro lado: Hospital Bandeirantes.

Atravessei a rua como dezenas de pedestres que estavam fazendo o mesmo. Entrei na Estação, amarrei meu cadarço e desci às escadas rolantes. Chego à cabine para comprar um ticket e vejo um gringo fazendo o mesmo. Ele está um pouco atrapalhado e ao comprar sua passagem, solta um “Scusa” (desculpa). Vejo o senhor dentro da cabine de tickets de mau humor, como o céu citadino. Ele me olha com repreensão, esperando algum erro. Dou meu dinheiro rapidamente e pego o ticket.

Escuto o barulho dos trilhos, sopra-me um vento moroso e pesado. A garoa fina prossegue, o céu cinzento também, o meu embarque também, menos o choro da senhora, que não pode aproveitar a vitória de seu time. E amanhã começa um novo dia, uma nova rotina.

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Cidade de São Paulo

Não sei quantas vezes já fui para a capital São Paulo. Fui por diversos motivos, atividades da BSGI – Centro Cultural Campestre e Centro Cultural Dr. Daisaku Ikeda – , quando fui para o Japão e mesmo para passear na cidade. É um lugar na qual cada viagem guardo alguma recordação até hoje.

Acho interessante as viagens para lá, pois no decorrer da viagem dá para perceber que há um aumento de àreas urbanas. Quanto mais próximo de São Paulo mais prédios e menos verde. E é perceptível para mim, porque nasci e vivi em São José do Rio Preto – interior paulista, 480 km da capital – e moro atualmente em São Carlos – 240 km da capital, não estou acostumado com um ambiente estritamente cinza.

Não estou acostumado com o aglomerado urbano. Sempre me chamou antenção este amontoado de pessoas; o corre, corre diário da metrópole paulista. Não dá para negar as nossas origens quando chegamos em São Paulo. Quando chego na cidade, desço vagarosamente do ônibus e subo as escadas com aquela cara e jeito de sono. Me surpreende que logo cedo as pessoas estão quase correndo para os seus destinos.

Há um fato engraçado que aconteceu comigo na “grande” cidade. Tinha chegado cedinho na Barra Funda e fui comprar um ticket de metrô. Estava eu na fila, esperando a minha vez. Quando cheguei no atendente, abaixei-me até a mochila que estava em meus pés, peguei a carteira, peguei o dinheiro e abri a bolsinha das moedas. Quando fui dar o dinheiro, coloquei na parte que o “cobrador” devolve o troco (não percebi a seta apontada para mim, sinalizando que era para o troco). O cobrador me olhou feio e disse: “Da próxima vez você já fica com dinheiro na mão”. Assim foi um dos meus “Seja bem vindo em São Paulo”. E mais, quando fui colocar o ticket na maquinha do metrô, coloquei errado e levei um tranco da catraca bloqueada.

Mas apesar de tudo, São Paulo sempre me chamou pela sua grandeza, grandes prédios, grandes avenidas, grandes museus e teatros, grandes aglomerados, grandes depredações públicas, grande riqueza, grande pobreza. É praticamente uma cidade infinita, nunca tem fim; pode andar, andar e andar (ou melhor correr) que nunca chega ao seu final. É tipo o horizonte do mar, é tipo o final do arco-íris. Será que o seu final é da ponte pra lá?

É estranho isto, mas tenho uma vontade de morar em São Paulo. Apesar de seus problemas é uma cidade que me cativa. As únicas características que fico receoso, é o mesmo de todas as pessoas: a criminalidade, a violência, o trânsito. Mas São Paulo tem uma enormidade de diversidades para se conhecer, como diz a música, São Paulo “é a Torre de Babel” (trecho de Nego Drama – Racionais MC’s). Já conheci alguns lugares: Avenida Paulista, Livraria Cultura, Liberdade, o metrô (afinal moro no interior e aqui não possui isto), Parque Ibirapuera, o Sambódromo, o areoporto de Congonhas e é claro o Pacaembu. Queria conhecer: o MASP, Pinacoteca do Estado, museu do Ipiranga, o estádio do Morumbi, a Cidade Universitária, os bairros boêmios, Galeria do Rock e outras coisas que ainda desconheço da cidade.

É São Paulo, teremos ainda muitas indas e vindas.

Até mais!

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