Já faz um tempinho que não escrevo por essas bandas. Não por falta de vontade; para falar a verdade é uma mescla de falta de tempo e de criatividade. Textos e mais textos para ler, para escrever, aquele sobe e desce desvairado.
Para falar a verdade queria manter uma regularidade na escrita do blog, afinal é o lugar onde tenho a maior “liberdade” em escrever. Posso escrever sobre qualquer assunto, de qualquer forma, de qualquer jeito, despreocupado. A estilística acadêmica e os seus próprios textos às vezes são tão maçantes, mas na maioria das vezes tão metódicos, que quando procuro escrever alguma coisa, perco o feeling para escrever algo. Literalmente brocho, brocho na hora de escrever, na hora de sair um pouco das quatro paredes.
Acho que na vida de alguém que escreve esporadicamente sempre ocorre um momento em que não consegue pensar em nada para escrever. Na verdade eu tenho “matérias” guardadas na manga, sempre penso em algo principalmente quando estou no cotidiano, ou quando estou lendo algo meio fora do padrão estritamente acadêmico das Ciências Sociais (coloco este exemplo, pois é o curso que faço, mas creio que se eu fizesse outro curso, o exemplo valeria para o mesmo). Será que a academia doma a liberdade e criatividade dos escritos? Será que gera amarras, pela maneira de pensar da academia? Eu tenho quase certeza.
Engraçado é como surge as “inspirações” para os escritos. Às vezes ocorre em meio de uma conversa, ou em um momento de reflexão solitária, ou quando está fazendo algo sobre determinada coisa, mas surge a idéia de algo totalmente diverso. Quando ocorre estes surtos eu prefiro sair correndo para escrever em algum lugar. Mas não é este o caso.
Não tive nenhum surto criativo. Abri a página do blog, li alguns blogs para passar o tempo e de maneira “forçada” e disciplinada comecei a esboçar algo (um esboço que será o resultado final, afinal não revisarei este texto). Algo sem sentido algum, creio…
Mas para não ficar nesta lenga-lenga, citarei um post do blog do FLIP (Festival Literária Internacional de Paraty) sobre hábitos na hora de escrever:
“Só consigo escrever prosa de ficção de manhã. Das seis às oito e meia, no máximo. É nesse horário que minha cabeça funciona melhor, que eu consigo me concentrar mais. Ou me defender menos. Porque tenho a impressão de que às seis horas — isto é, mal-saído do sono —, sentado de frente pro laptop, já tendo tomado uma caneca de café sem açúcar e comido uma ou duas fatias de pão com manteiga, há pouca resistência entre o meu cérebro, minhas mãos e o teclado”, diz Fabrício Corsaletti (Flip 2007).
E me identifiquei com o próximo, pela ausência de um tempo fixo para escrever:
“Como me dedico a escrever no que sobra de tempo da carreira de jornalista, meu horário é o que eu conseguir separar para sentar em frente ao computador – que fica no quarto, não tenho um gabinete especial em casa. Mas já notei que rendo melhor madrugada adentro e não durante o dia. Escrevo – e também trabalho como tradutor – depois de fazer uma xícara de café, trazê-la para a escrivaninha e colocá-la ao lado do monitor (onde podem ser vistos também alguns carrinhos Hot Wheels que tenho há muitos anos e que gosto que decorem o ambiente). A escrivaninha é uma bagunça, com pilhas de livros e CDs de rock em volta – na primeira meia hora, ouço música quando estou escrevendo. Depois desligo e continuo só com o som ou silêncio da vizinhança.”Carlos André Moreira, autor de Tudo o que fizemos.
O link do blog é: http://michellaub.wordpress.com/ que retirei do blog do FLIP.
Creio que os comentários destes dois escritores tenham certa valia a leitura deste post. Creio que seja a única coisa que o salva.
Meus olhos estão embaçados. É hora de criança ir dormir.