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Resumo SBS 2011

Recentemente mandei um resumo para o congresso da SBS (Sociedade Brasileira de Sociologia) na categoria de “sociólogos do futuro” e ocorrerá entre os dias 26 e 29 de julho de 2011.

Este resumo é de meu trabalho de Iniciação Científica que realizo na instituição na qual faço graduação (UFSCar), cujo o título é Deslocamentos no rap e nas periferias urbanas: o percurso do Racionais MC’s.

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Os dois lados da moeda

Há poucas horas atrás houve a Roda Viva (TV Cultura) na qual entrevistou Moacyr Scliar, escritor brasileiro de ascendência judaica, nascido no Rio Grande do Sul e membro da Academia Brasileira de Letras.

Em determinada parte da entrevista, o entrevistador perguntou para Scliar sobre a diferença dos médicos de antigamente e os atuais, pergunta feita pois Scliar é formado em medicina, onde atuou na medicina pública. A diferença era de que antigamente os médicos estavam mais ao lado dos seus pacientes e atualmente a relação entre médico/paciente ser bem mais distante, tendo um tempo de consulta muito menor. E pergutando novamente, o entrevistador disse se ser médico escritor facilitaria esta maior aproximação com o paciente, ou seja, uma maior humanização.

Scliar disse que sim e para o escritor, a medicina ajudaria, porque com a medicina o contato com a vida humana é bem maior. O escritor disse que todo doente “mostra sua face como realmente é” no momento da doença, facilitando assim a descrição do ser humano. Essa “essência” do ser humano é sempre abordado pelos clássicos da literatura, por isso que elas nunca são esquecidas, por sua leitura sempre exister uma proximidade com a vida humana.

Continuando seu argumento, Moacyr Scliar diz que há dois lados no trato do conhecimento das humanidades, aquele que defende piamente o lado científico, menosprezando o lado “humano” e o outro que é da humanização. Isso me fez lembrar os críticos culturais que possuem nas Ciências Sociais, Escola de Frankfurt, Edgar Morin, entre outros do lado “mais científico” e escritores da literatura como Kafka, José Saramago, Goethe que também possuem sua crítica e seu pessimismo perante a humanidade, mas são “humanizadores”.

Os primeiros possuem argumentos concisos e bem representados, mas acabam enaltecendo muitos aspectos pessimistas de forma a encobrir aspectos de cunho mais “humano”. Contrabalançando os dois tipos de literatura, podemos deixar de se tornarmos cegos extremistas, porque pontos de vista temos inúmeras, não devendo se restringir somente a uma forma. Primeiro porque tudo está em processo de constante mudança e segundo porque se ficamos restritos a “cara” nunca veremos a “coroa”, ou seja, nunca veremos a moeda por completo.

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