Love music just for… “Oh yeah babe!”

Sempre gosto de fazer playlists… mas a playlist que sempre tive vontade de fazer é de “love music”. Entenda “love music” como quiser, pra mim seria desde um som para um papinho esperto até um climax do grand finale. Sempre com estilo, é isso que a música proporciona nesses momentos.

Basicamente a minha playlist de “love music” consiste em black music, pelo suingado, pela pegada, algo que permite ditar o ritmo, sem ser algo “sem sal”. Bom lá vai… selecionarei as músicas aleatoriamente, sem esquematizar um “top-alguma-coisa”.

1) “Let’s Get it On” – Marvin Gaye:

Não queria colocar no “top-alguma-coisa”, mas essa música é a única que selecionaria em ordem (e seria em primeira). Let’s Get it On é um dos clássicos de Marvin Gaye, pra falar a verdade o álbum homônimo é o meu álbum favorito deste cara. Justamente porque o álbum inteiro tem uma pegada light, soft, sweet. Ótima música lenta pra dançar e para colocar de “entrada” (rsrs). Bom… esse é o som dum dos mestres do soul music.

2) “On & On” – Erykah Badu:

Putz… essa é outra música top! Mas enfim, a música faz parte do álbum Baduizm. A Erykah Badu é uma das vozes dos anos 2000 que resgata uma pegada clássica da black music, principalmente das vozes femininas. Mas há uma mistura com a batida mais eletrônica dos DJ’s. Ela será uma das musas da black music que serão listadas mais a frente. A batida, o cadenciamento da música já diz tudo. É só colocar o som que entra na mesma vibe. Além da voz maravilhosa da Badu, é aquela típica voz de se escutar no cantinho do ouvido. PS: Todos os álbuns dessa mulher vale a pena (“é sério”).

3) “You sent me flying” – Amy Whinehouse:

Agora um tributo recente. Outra voz que resgata muito do “black music swing” das antigas. Esse som é a voz de Amy acompanhado com simples acorde de piano, que ficou muito sutil e depois vem com um som mais marcado com beats. Essa música é do álbum Frank, se não me engano é um álbum que tem uma pegada mais “pub” em relação aos outros álbuns dela…

4) “I’m His Only Woman” – Jennifer Hudson:

Me parece que essa moça participou do “American Idol”, não importa, canta muito. Inclusive me lembra outra que participou de programas parecidos aqui no Brasil, a belíssima Paula Lima. Esse álbum da Jennifer Hudson é recente, de 2008. E a música trata de uma “treta” entre mulheres, mas enfim, não importa muito, é muito bem cantada!

5) “Ex-factor” – Lauryn Hill:

Essa cantora vem de um grupo chamado Fugees, e vem do estilo rap, soul e R&B, ou seja, uma misturera. Mas já dá pra sentir a pegada de rap nas batidas e no próprio ritmo das rimas. Só que a música que selecionais é mais soft nas batidas. O que importa é que a Lauryn Hill canta muito tanto no rap quanto no R&B-soul. 

6) “Rock with you” – Michael Jackson:

Mais um tributo recente e mudando um pouco do tipo de som. Essa música lembra as músicas disco que Michael cantou muito. Bom… é um som diferente em relação as outras, mas o que gostei mesmo dessa música foram as versões que fizeram dela, por exemplo: Fernanda Abreu. PS: Prefiro a época dos Jackson 5, mini-Michael cantando muito. Além de me lembrar isso.

7) “Love” – Musiq Soulchild:

Esse é um cara do rap contemporâneo que pouco se conhece aqui no Brasil. A música que estava procurando é a “Ms Philadelphia”, mas não encontrei na internet. É um som que retomam a vertente soul e até – podemos dizer – gospel, pelo menos no estilo de cantar. Ambas músicas são bonitas e tenho impressão que essa “Love”, tá falando num sentido de “fraternidade” (eu acho).

8 ) “Let’s Stay Together” – Al Green:

Esbarrei com esse cara agora… gostei e vou colocar na lista. Tipão soul music com uns metais maneiros. Bom, vou baixar mais coisas dele também!

9) “September” – Barry White:

A voz poderosa de Barry White! Chegou a cantar com o Pavaroti e é dica de Mano Brown.

10) “Never Can Say Goodbye” – Isaac Hayes:

Bela música! Tipão de voz rouca… e ignorem as fotos do video. Hayes também é autor da música “Ike’s Rap 2″ que é a base de… alguma semelhança?

11) “Let’s Have a Ball Tonight” – Tim Maia:

Pra fechar (eu não tinha calculado quantas músicas seriam) um brasileiro que canta em inglês. Esse álbum de 1978 do Tim Maia é inteiramente em inglês, muito influenciado na sua passagem nos Estados Unidos na década de 60 (por aí). Mais pra frente, algumas músicas em inglês aparecem na fase “racional” de Tim. É depois dos EUA que Tim Maia troca o “mermão” pelo “my brother”.

Bom… a lista era para ser gringa mesmo, porque trouxe uma lista da black music. Lembrando que não está na ordem e que não é somente as músicas que interessam. É importante escutar o álbum como um todo… pois há músicas que agradam mais e outras menos, mesmo sendo um mesmo tipo de som. Espero mais pra frente fazer uma lista dos “brasileiros” com influência black e outra de “love rap”.

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Malcolm X e Muhammad Ali

Filme “Ali” (2001). Mario Van Peebles (Malcolm X) e Muhammad Ali (Will Smith)

Foto: Nova Iorque (1963).

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Porquê da desigualdade social? Nietzsche, Weber e Sakyamuni

Uma das minhas principais indagações quando eu entrei no curso de Ciências Sociais e que tinha grandes expectativas de responder era: “porque que existe desigualdade social?”. Conheci e aprendi dentro da faculdade, desde teorias macroestruturais que procurava explicar tudo, até teorias mais no âmbito das relações cotidianas, que procuravam compreender as minúncias desta desigualdade.

Esta é uma indagação que dialoga fortemente com os movimentos sociais – principalmente estudantis – nos dias atuais. Estes movimentos pautam suas reinvidicações sob a ótica da “exploração do capital”, para obter assim uma universidade “democrática” e no limite “socialista”. Para mim é uma pauta política de certa forma anacrônica, pois aqui no Brasil esta pauta era fortemente reinvidicada na década de 80. Enquanto que mundialmente, víamos entre as décadas de 70 e 80 o declínio dos países socialistas, a desintegração da União Soviética e a queda do Muro de Berlim. Os países socialistas do século XX, também eram exploradoras.

Assim, um conceito muito importante para a compreensão desta desigualdade social seria o poder. É importante dizer a importância do conceito, pois temos assim um “problema” empírico e necessitamos de significações (conceitos) para a compreensão desta. E esta conceitualização seria o foco principal da filosofia:

Criar conceitos sempre novos é o objeto da filosofia. É porque o conceito deve ser criado que ele remete ao filósofo como àquele que o tem em potência, ou que tem sua potência e sua competência. (…) Os conceitos não nos esperam inteiramente feitos, como corpos celestes. Não há céu para os conceitos. Eles devem ser inventados, fabricados ou antes criados, e não seriam nada sem a assinatura daqueles que os criam. (Deleuze, G; Guatarri, F. p. 13 in: O que é filosofia?)

Entretanto não será minha pretensão “criar” novos conceitos – obviamente – mas sim enfatizo esta noção do conceito para a filosofia, pois são alguns destes que iremos recorrer.

Voltando para o “porquê da desigualdade social”, a explicação/compreensão não se daria portanto por causa da “exploração da relação capital-trabalho” assim como diria os marxistas, mas seria uma causa “supra-capitalista”. Iremos nos basear – inicialmente – da noção “vontade de poder” de Nietzsche, mas deixaremos um pouco de lado. Pois já que meu conhecimento filosófico e nietzschiano é mais do que simplório, entraremos mais na teoria de Max Weber. Mas é preciso dizer a importância deste conceito de Nietzche para toda teoria sobre poder de Weber.

Poder para Weber seria: “a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social, mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade” (Weber, M. p. 43 in Economía y sociedad, grifo meu). Ou seja, é a partir desta “vontade” de impor a própria vontade em uma relação social é que se estabele a dominação e portanto é esta dominação que estabelecerá diferenças sociais numa ordem de “hierarquia”. É assim que boa parcela das teorias da ciências sociais entende o poder, o poder como algo de dominação no sentido de repressão (tanto no sentido “repressão conflituosa”, como “repressão consentida”).

Entretanto, poderíamos entender este poder, não somente como uma relação vertical de dominação entre o que possui “mais” poder com o que possui menos. Mas esmiuçar o sentido de “vontade de poder”, ou seja, o poder neste caso possuiria um sentido mais amplo de “vontade de fazer”, “vontade de ser”, “vontade de possuir”, “vontade de querer”, trazendo os sentidos similares de poder para este conceito.

Sakyamuni ou Siddharta Gautama, fundador do budismo, utiliza a noção de desejo como o conceito-chave para a compreesão do sofrimento/felicidade humana. O desejo é o que caracteriza o ser humano como um humano, é importante esclarecer que o ser humano que não deseja, não é considerado como um não-humano, pois o próprio fato de não desejar já é um desejo. No limite, enquanto a vontade de poder seria “vontade” de dominação, de ganho de status, ganho de bens simbólicos, ganho de legitimidade e etc trabalhada pela ciências sociais, para Sakyamuni esta vontade de poder, ou permitindo uma modificação conceitual, este desejo de poder (poder ser, fazer, possuir, querer, etc) seria o “desejo”/”vontade” de “felicidade” (felicidade no sentido de “poder” ser, fazer, possuir, querer, etc), ultrapassando assim o “sofrimento” (sofrimento no sentido de não “poder” ser, fazer, possuir, querer, etc).

No limite a desigualdade social ocorre pelo simples fato do ser humano que através da “vontade de poder” ou do “desejo” engendra uma relação de diferenciamento, pois a “vontade de poder” ou “desejo” hegêmonico seria o de diferenciamento e dominância a submissão de um/uns ao outro/outros. De maneira “utópica” a ruptura com a desigualdade de cunho repressivo/submissivo ocorreria a partir da mudança valorativa da “vontade de poder”/”desejo”, que para Nietzsche seria através do conceito de transvaloração dos valores que seria uma ruptura de paradigmas atuais de maneira niilista. Este niilismo não é no sentido de uma metodologia filosófica de simples negação de algo, mas uma negação de algo que busque re-significar as dimensões reais do humano. Portanto a chave para uma ruptura com a desigualdade e diferenciação social é a partir de “valores” que re-significa estas dimensões reais do humano.


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